Entendendo
as linhas e desenhos do projeto
Muitas
vezes os modelistas se dedicam unicamente a montagem de kits por não saberem
interpretar os planos de construção de uma embarcação.
O
aprendizado destá técnica lhe permitirá analisar, entender e adequar qualquer
projeto de embarcação para ser aplicado ao nautimodelismo ou modelismo naval
estático com muita facilidade.
Um
plano nada mais é que um desenho técnico onde estão contidas todas as linhas e
informações necessárias para a construção de uma embarcação real ou de um
nautimodelo estático ou dinâmico (r/c). Mas nem todos conseguem desvendar
rapidademente tais informações contidas nestes planos para torná-lo uma
embarcação real palpável.
O
objetivo deste tutorial é trazer alguma informação elucidativa a esta matéria
com uma breve e clara explicação descritiva sobre como interpretar as linhas de
um plano de construção.
Tomamos
como base um plano de um pequeno pesqueiro simulando a confecção das duas vertentes
do modelismo nautico, o estático e o dinâmico (rádio-controlado).
Iniciaremos
então pela parte mais importante, o plano de linhas ou plano de arranjo geral.
Cambota: São
as cavernas que estruturam e armam a popa da embarcação determinando a configuração
da almeida.
Pontal: Na
terminologia náutica significa a maior altura do casco, considerando-se desde a
parte inferior da quilha até o convés.
Boca: No âmbito náutico, a boca é a largura de uma
determinada secção transversal de uma embarcação, medida de um bordo ao outro.
Se não houver referência a uma secção específica, o termo "boca"
refere-se à boca máxima, ou seja, a maior largura do casco de uma embarcação.
Dentro do conceito de boca incluem-se:
Boca máxima - é a boca na secção mestra ou seja na secção onde o casco da embarcação apresenta maior largura. Representa, portanto, a largura máxima do casco. Normalmente, corresponde à boca a meia-nau.
Boca moldada - constitui a maior largura do casco entre as superfícies moldadas. É medida entre as faces exteriores do cavername.
Meia-boca - refere-se à metade da boca numa determinada secção. Sem referência à secção, considera-se como se referindo à meia-boca na secção mestra.
No
Plano de linhas das cavernas estão as formas do casco que precisaremos para que
o casco representado acima no plano de linhas saia do papel e tenha forma 3D.
No plano de linhas também visualizaremos a quilha e o convés, desenhos estes
fundamentais e indispensáveis para a construção de um casco de embarcação.
A
partir do plano de linhas principal, com auxílio de um programa de desenho no computador ou
mesmo em foto-cópia, vamos tomar como base o plano de linhas das cavernas como
na imagem abaixo:
Analizando
o plano de linhas das cavernas percebemos algumas características básicas que
se tornam padrão nestes desenhos:
a)
Ao centro do desenho existe uma linha divisória que representa o centro do
casco.
b)
A direita temos metade do desenho de cada caverna ou cavername desde a proa até
o centro do casco.
c)
A esquerda temos a metade do desenho de cada caverna ou cavername do centro até
a popa do
casco.
Para
conseguirmos o desenho cheio de cada caverna, ou seja obter um desenho que
tenha os dois lados iguais, vamos espelhar o desenho do plano de linhas de proa
a centro e de centro a proa, veja a seguir como ficam os desenhos cheios
extraidos do plano de linhas das cavernas acima:
cavernas
cheias de centro a popa
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cavernas
cheias de proa a centro
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O
mesmo processo feito manualmente
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Desta
forma obteremos o perfil completo de todas as cavernas do casco de proa a popa.
Como
quase todos os planos que servem para construção de embarcação real estes tem
varias sessões de cavernames, para um modelo reduzido, não precisaremos
utilizar todas as cavernas. Para um modelo de aproximadamente 80 cm o ideal é
que se tenham entre 8 a 12 cavernames. Assim conseguimos reproduzir com
exatidão as linhas esternas do casco. Pode-se então eliminar algumas cavernas
do projeto original em função da produção de um projeto para nautimodelismo.
Estamos
assim mais próximos da formas que necessitamos, faltando apenas definir a linha
do convés e o engate para a quilha, o qual teremos de fazer em todas as
cavernas.
No
geral as embarcações tem a linha do convés sempre arqueada, o que permite que a
água que adentre a embarcação escoe para as bordas, vazando para fora do barco.
Em alguns planos esta curvatura do convés já vem representada nas cavernas e em
outros teremos de desenhá-la ou retirar do desenho de pormenor da caverna
mestra. (a caverna central)
Em
seguida junta-se a linha do convés a cada caverna, realiza-se o desenho do
encaixe para a quilha mediante a espessura da madeira a utilizar para a
confecção da quilha, tornando o encaixe preciso.
Aqui
começa a diferença entre um modelo estático e um modelo naval rádio-controlado.
Para um modelo estático, podemos utilizar as cavernas cheias, já nos
rádio-controlados vamos necessitar do espaço interno para instalação do
mecanismo de propulsão, comando de direção, baterias e outros acessórios
elétricos eletrônicos que se fazem necessários ao funcionamento do nosso
nautimodelo. Para tal, teremos de abrir espaço no interior de cada caverna.
E
assim procedemos em todas as cavernas e obteremos os desenhos das cavernas que
necessitamos para a construção de um nautimodelo estático ou dinâmico
(rádio-controlado). Mas ainda teremos de identificar em nosso plano os desenhos
da quilha e do convés.
Vamos
espelhar o plano de linhas de vista superior para ter os dois lados do convés
em linhas idênticas.
Basta
unir as duas imagens, formando a vista das curvas em níveis do casco.
Traçar
a linha em torno do casco, representando o formato do convés.
A
Quilha
Peça
disposta em todo o comprimento do casco e na parte mais baixa da embarcação.
Constitui a espinha dorsal e é a parte mais importante do casco.
Como
extraIr do plano de linhas lateral o desenho da quilha para seu nautimodelo?
Bastante
simples desde que seja dada devida atenção a alguns detalhes.
No
projeto abaixo vemos claramente a linha externa que contorna todo o perfil do
casco. Este será também o desenho básico da quilha.
Abaixo
contornado em vermelho traçamos a linha externa da quilha.
Desenho
da quilha cheia, agora faremos os encaixes para os cavernames seguindo as
marcações do projeto
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Para
o nautimodelo estático, não haverá necessidade de eliminar a parte interna da
caverna nem da quilha, pois, não precisaremos do espaço interno do casco para
instalação de motor, eixo, bateria, elétrica e eletrônica.
Para
um casco de nautimodelo rádio-controlado, a quilha deve ser aliviada, ou seja,
removeremos o máximo possível de seu interior para que a mesma ainda possa
suportar os cavernames. As cavernas também serão aliviadas em seu interior,
removendo-se o miolo.
Basta
agora colar cada caverna na sua devida posição, atentando para o perfeito
alinhamento, nível e prumo.
Partes
da Quilha / Casco




























